Diálogo 6: É A Cruz Um Símbolo Pagão?

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(CAPÍTULO 11: “Crenças e costumes que desagradam a Deus”)

Foi Jesus pregado numa cruz ou foi ele pregado numa estaca de tortura? Porque a palavra grega traduzida por “cruz” significa em muitas Bíblias apenas um madeiro? Era a cruz usada no tempo de Cristo?

 ISABEL:  Susana, eu reparei que em 1 Coríntios 1:18, a sua Bíblia está traduzida de uma forma diferente da minha. A minha Bíblia diz “…a palavra da cruz é loucura para os que perecem.…”1., mas a sua Bíblia, A Tradução do Novo Mundo, diz “…a palavra a respeito da estaca de tortura é tolice para os que estão perecendo.”

SUSANA: É verdade, Isabel. Tal como vamos estudar hoje na brochura O Que Deus Requer de Nós?, “Jesus não morreu numa cruz. Ele morreu num poste, ou estaca. A palavra grega, em muitas Bíblias traduzida “cruz”, refere-se apenas a um madeiro.”2.

ISABEL:  Susana, eu estive a ler o livro The Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible e apesar de ser verdade que a palavra grega stauros, que muitas Bíblias traduzem como “a cruz”, “originalmente significar uma ‘estaca vertical ereta,’” esta enciclopédia explica que “Stauros no NT, contudo, era aparentemente um poste espetado no solo com uma barra transversal que era fixa para lhe dar a forma de ‘T’. Muitas vezes, a palavra ‘cruz’ referia-se apenas à barra transversal.…” Por isso pode ver, Susana, que a Sociedade está certa quando diz que a palavra grega “refere-se apenas a um madeiro” , pois ela referia-se apenas à barra transversal sobre a qual os criminosos eram pregados e “ depois erguidos com ela para a estaca reta que se encontrava colocada no local da execução.”3.

SUSANA: Mas, Isabel, era a cruz usada no tempo de Cristo? Como poderia uma barra transversal ser usada para pregar Jesus na estaca de tortura, quando a Torre de Vigia declara que foi somente “mais tarde” que stauros “veio também a ser usada para uma estaca de execução com uma peça transversal.”4.

ISABEL:  Susana, está a Sociedade a dizer que não há evidência histórica de que a cruz era usada no tempo de Cristo? 

SUSANA: É isso mesmo, Isabel. Em apoio disso, o livro da Torre de Vigia, Raciocínios À Base das Escrituras, cita J.D. Parsons que disse no seu livro The Non-Christian Cross, “ ‘Não existe uma única sentença em qualquer dos inúmeros escritos que formam o Novo Testamento que…forneça sequer evidência indireta no sentido de que o stauros usado no caso de Jesus fosse diferente do stauros comum; muito menos no sentido de que consistisse, não em um só pedaço de madeira, mas em dois pedaços pregados juntos em forma de uma cruz.’…Assim, o peso da evidência indica que Jesus morreu numa estaca reta e não na cruz tradicional.”5.

ISABEL:  Susana, sabia que o historiador Grego Heródoto que viveu aproximadamente 400 anos antes do nascimento de Cristo, descreveu uma crucificação em que declarou: “Eles pregaram-no às tábuas e pendurarm-no bem alto.…”6. Como pode a Sociedade argumentar que não existe mais evidência a não ser a de “um madeiro” sendo usado neste tipo de execução, quando Heródoto descreveu a crucificação de um homem sobre as “tábuas” muito antes do tempo de Jesus? 

SUSANA: Não sei, Isabel, mas apenas porque a cruz foi usada 400 anos antes de Cristo, não significa que ela fosse usada no tempo de Cristo, pois não? 

ISABEL:  Susana, acho que vai ficar surpreendida com as evidências. O livro The Crucifixion of Jesus declara que “descrições detalhadas” da crucificação podem ser encontradas na literatura dos tempos Romanos antigos. Nesta literatura, “uma variedade de posturas e de diferentes tipos de torturas nas cruzes” são descritas. “Algumas vítimas são estendidas de cabeça para baixo… ainda outros têm os seus braços estendidos numa barra transversal.”7. Como pode a Sociedade argumentar que a estaca de tortura de Jesus não tinha uma barra transversal, quando a evidência histórica da literatura daquele tempo, descreve as barras transversais como sendo usadas na crucificação? 

SUSANA: Não sei. 

ISABEL:  Susana, não apenas encontramos evidência histórica da cruz sendo descrita na literatura do tempo de Cristo, mas os arqueólogos recentemente descobriram os restos de um homem que eles acreditam ter sido crucificado pelos Romanos em 7 A.D. De acordo com o artigo do Newsweek de 18 de Janeiro de 1971: “O que particularmente interessou os críticos foram as marcas encontradas nos ossos do homem crucificado.…Do ponto de vista dos críticos,” este homem “foi provavelmente virado para baixo pelos soldados enquanto os seus braços estendidos eram fixos primeiro na barra transversal.…Arranhões nesses dois pares de ossos são claramente discerníveis logo acima do pulso.”8.

SUSANA: Isso é interessante, Isabel, mas dá-nos a Bíblia alguma indicação de que Jesus tenha sido pendurado numa barra transversal presa à estaca de tortura? 

ISABEL:  Dá sim, Susana. Vamos ver alguma da evidência. Se Jesus foi pregado numa estaca de tortura sem nenhuma peça transversal, como a Sociedade argumenta, quantos pregos teriam que ter sido fixados nas suas mãos? 

SUSANA: Bem, Isabel, olhando para a gravura de Jesus pregado na estaca, que se encontra na página 7 da brochura O Que Deus Requer de Nós?, há apenas um prego a atravessar as suas mãos. 

ISABEL:  Sim, Susana. Agora, podia ler João 20:25, na sua Bíblia, A Tradução do Novo Mundo? 

SUSANA: Está bem.  “…Mas, ele [Tomé] lhes disse: “A menos que eu veja nas suas mãos o sinal dos pregos e ponha o meu dedo no sinal dos pregos, e ponha a minha mão no seu lado, certamente não acreditarei.” 

ISABEL:  Susana, quantos pregos a Bíblia diz que havia nas mãos de Jesus? 

SUSANA: Bem, Isabel, não diz quantos pregos foram usados, mas indica que havia mais do que um prego fixado nas suas mãos.… ‘A menos que eu veja nas suas mãos o sinal dos pregos.…certamente não acreditarei.” Mas, Isabel, este é o único versículo que você tem para provar que Jesus morreu numa cruz? 

ISABEL:  De modo nenhum, Susana. Podia ler João 21:18-19 na sua Bíblia? 

SUSANA: Sim. “ ‘Eu te digo em toda a verdade.…quando ficares velho, estenderás as tuas mãos e outro [homem] te cingirá e te levará para onde não queres.’ Isto ele disse para indicar por que sorte de morte havia de glorificar a Deus.…”9.

ISABEL:  Susana, se Jesus morreu numa estaca de tortura com as Suas mãos puxadas para cima sobre a sua cabeça, como a Torre de Vigia ilustra nesta gravura, como pode a Bíblia dizer que as mãos de Pedro estavam estendidas quando ele morreu, se a cruz não era usada no tempo de Jesus? Não indica esta passagem que as pessoas que morreram da mesma forma que Jesus, tinham as suas mãos pregadas numa posição estendida na barra transversal? Em Mateus 27:37, a Bíblia diz que a tabuleta, fornecendo a acusação contra Jesus, estava posta por cima da Sua cabeça, e não por cima das Suas mãos, como a gravura da Torre de Vigia retrata. Porque a Sociedade argumenta que não existe nenhuma evidência na Bíblia para uma peça transversal ter sido ligada à estaca de tortura, quando a Bíblia e a evidência histórica revelam claramente o oposto? 

SUSANA: É um bom raciocínio, Isabel.  Eu não sei, mas não é verdade que “o símbolo da cruz vem de antigas religiões falsas”?10. No livro, Raciocínios À Base das Escrituras, a Sociedade cita algumas autoridades seculares que provam que os pagãos usavam a cruz na sua adoração a deuses falsos.11. Visto que a Bíblia diz que os Cristãos devem “fugir da idolatria”12. “você acha certo usar uma cruz na adoração?”13.

ISABEL:  Susana, lembra-se do que a Sociedade disse no artigo da Despertai! de 22 de Dezembro de 1976? Nesse artigo, a Sociedade declarou: “Cobras, cruzes, estrelas, aves, flores . . . sim, há um número quase que infindável de estilos e símbolos que, em certo tempo, estiveram ligados à adoração idólatra..… só porque os idólatras, em algum tempo ou lugar, talvez usassem algum estilo, isso não significa, automaticamente, que os adoradores verdadeiros têm de evitá-lo.…”14.

SUSANA: Isabel, a Sociedade disse mesmo isso? 

ISABEL:  Sim, disse, Susana., e continuou a dizer: “Muitas vezes, uma forma muda de significado, conforme o local e o tempo..…Um símbolo religioso pagão pode perder sua conotação religiosa.…Portanto, o cristão precisa estar primariamente preocupado com o quê? Não com que certo símbolo ou formato tenha possivelmente significado há milhares de anos atrás.…mas o que significa atualmente para a maioria das pessoas de onde ele vive..”15. Susana, não acha que este é um bom conselho da Sociedade Torre de Vigia? 

SUSANA: Bem, acho que sim, Isabel. Então, talvez a cruz tenha perdido a sua conotação religiosa pagã, mas “como se sentiria se um amigo seu muito prezado fosse executado à base de acusações falsas? Faria uma réplica do instrumento de execução? Será que o prezaria, ou, antes, o evitaria?”16.

ISABEL:  Bem, não, Susana, mas veja isso desta forma. Se uma das suas melhores amigas morresse ao dar à luz um filho, você não o evitaria porque ele foi o instrumento da morte dela, pois não? Antes, você iria prezá-lo, porque na morte dela estaria a vida dele. O mesmo acontece com os verdadeiros Cristãos. Se não fosse pela morte de Jesus na cruz, todos nós estaríamos espiritualmente mortos. Pode ver agora que, longe de ser um símbolo de morte, a cruz tornou-se no símbolo da vida para aqueles que têm sido lavados no sangue de Cristo? 

COMENTÁRIOS:

Amigos, embora seja verdade que os Cristãos não adoram ou veneram a cruz, também não a evitam. Assim como Isabel declarou, longe de ser um símbolo de morte, para os verdadeiros cristãos, a cruz tornou-se o símbolo da vida eterna em Cristo. É por isso que o apóstolo Paulo disse “…Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.… Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus..”17. Encontrou você a vida eterna no poder do sangue derramado de Jesus?

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1. Almeida Revista e Corrigida
2. O Que Deus Requer de Nós?, 1996, pág. 23, parág. 6
3. The Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible (Enciclopédia Ilustrada Zondervan), ed. Merrill C. Tenney, vol. 1, 1976, págs. 1037-1038 (edição em inglês)
4. Raciocínios À Base das Escrituras, 1985, 1989, pág. 99
5. Raciocínios À Base das Escrituras, págs. 99, 100
6. The Crucifixion of Jesus: History, Myth, Faith (A Crucificação de Jesus: História, Mito, Fé), por Gerard S. Sloyan (Minneapolis, MN: Augsburg Fortress Publishers, 1995), pág. 15 (edição em inglês)
7. The Crucifixion of Jesus: History, Myth, Faith (A Crucificação de Jesus: História, Mito, Fé), pág. 15 (edição em inglês)
8. Newsweek, 18 de Janeiro, 1971, pág. 53 (edição em inglês)
9. Tradução do Novo Mundo
10. O Que Deus Requer de Nós?, pág. 23, parág. 6
11. Raciocínios À Base das Escrituras, págs. 100, 101
12. 1 Coríntios 10:14
13. O Que Deus Requer de Nós?, pág. 23, parág. 6
14. Despertai! 22 de Dezembro, 1976, págs. 13, 14
15. Despertai! 22 de Dezembro, 1976, pág. 14
16. Raciocínios À Base das Escrituras, pág. 102
17. Gálatas 6:14; 1 Coríntios 1:18, Almeida Revista e Corrigida

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