Diálogo 1b: Será Que A Lei De Deus Sobre O Sangue Requer Que Não Sejam Usadas Transfusões De Sangue?—Parte 2

 
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(CONTINUAÇÃO DO DIÁLOGO ANTERIOR)

SUSANA: Isabel, na semana passada falámos sobre as transfusões de sangue e como a lei de Deus nos ordena que devemos abster-nos de sangue. Nós discutimos o facto de que enquanto “as Testemunhas de Jeová não aceitam transfusões de sangue total nem de seus componentes primários (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plaquetas ou plasma),” algumas “Testemunhas de Jeová aceitam injeções de frações do sangue, tais como imunoglobulinas ou albuminas” feitas a partir de plasma sanguíneo.1.

ISABEL:  É verdade, Susana.  Na semana passada, eu tinha perguntado se uma fração de sangue continua a ser uma substância do sangue, porque as Testemunhas de Jeová as aceitam quando a Bíblia diz para se absterem de sangue? Uma pessoa não está a  “abster-se…de sangue” se ela estiver a tomar frações de sangue, pois não? 

SUSANA: Bem, Isabel, as “Perguntas dos Leitores” da Sentinela de 15 de Junho de 2000, discute esta questão. A Sociedade declara que “alguns [Testemunhas de Jeová]…recusam qualquer produto derivado de sangue (mesmo frações destinadas a fornecer imunidade passiva temporária). É assim que entendem a ordem de Deus de ‘abster-se de sangue’…Sua posição sincera, baseada em sua consciência, deve ser respeitada.”  Depois, a Sociedade continuou por dizer que “outros cristãos tomam uma decisão diferente.…“A seção “Perguntas dos Leitores”, publicada em A Sentinela de 1.° de junho de 1990, observou que as proteínas do plasma (frações) passam do sangue da gestante para o sistema sanguíneo, separado, do feto. Portanto… Alguns cristãos podem concluir que visto que frações de sangue podem passar para outra pessoa neste ambiente natural, eles poderiam aceitar uma fração de sangue derivada de plasma ou de glóbulos sanguíneos.”2.

ISABEL:  Susana, está a Sociedade Torre de Vigia a raciocinar que não é uma violação da lei de Deus do sangue que se tire pequenas porções dos componentes primários do sangue, porque as proteínas do plasma passam naturalmente do sistema sanguíneo da mãe para a criança? 

SUSANA: Sim, é isso, Isabel. Mas tal como a Sociedade declarou na Sentinela  de 1 de Junho de 1990, “o sangue da mãe não passa para o feto. Elementos formados (células) do sangue  materno não cruzam a barreira placentária para penetrar no sangue do feto.”3.  Então, enquanto que as Testemunhas de Jeová declaram que as frações do sangue se “movem naturalmente” da mãe para a criança, os componentes sanguíneos primários tais como os glóbulos vermelhos e brancos, não. Portanto, as Testemunhas de Jeová rejeitam consistentemente “transfusões de sangue total, de hemácias, de leucócitos, de plaquetas ou de plasma sanguíneo.”4.

ISABEL:  Susana, sabia que os glóbulos brancos estão no leite humano com que uma mãe amamenta o seu bébé? O livro Breastfeeding—A Guide for the Medical Profession declara que “ambos os linfócitos T e B [glóbulos brancos5.] estão presentes no leite humano e colostro e fazem parte do sistema imunológico no leite humano.”6. Visto que os glóbulos brancos “movem-se naturalmente” da mãe para a criança, porque é que a Torre de Vigia vê a transfusão de glóbulos brancos como sendo uma violação da Lei de Deus? Se as Testemunhas de Jeová recebem frações de plasma porque estas se “movem naturalmente” da mãe grávida para o seu bebé, porque não aceitam transfusões de glóbulos brancos? 

SUSANA: Isabel, é uma boa questão. Realmente não sei porquê. 

ISABEL:  Susana, como sabe, a Sociedade afirmou na Sentinela de Junho de 1990 que “elementos formados (células) do sangue  materno não cruzam a barreira placentária para penetrar no sangue do feto.” Mas sabia que o livro A Pictorial Handbook of Anatomy and Physiology declara que “nas últimas semanas de gravidez um pequeno número dos glóbulos vermelhos do bébé escapam através da placenta para a circulação da mãe”?7.

SUSANA: Uau! Não sabia disso. 

ISABEL:  Susana, não apenas esta transferência de glóbulos vermelhos ocorre nas últimas semanas de gravidez, do bebé para a mãe, mas os Doutores Frank Oski e Lawrence Naiman, explicaram no seu livro Hematologic Problems In the Newborn que a “evidência acumulada indica que leucócitos [glóbulos brancos], plaquetas, e eritrócitos [glóbulos vermelhos] atravessam a barreira placentária.…Glóbulos vermelhos fetais pode ser comprovados na circulação materna em aproximadamente 50 por cento de todas as gravidezes.”8.

SUSANA: Que interessante, Isabel. Mas não estão estes médicos admitindo que esta transferência de glóbulos vermelhos, do bebé para a mãe, ocorre apenas em 50 por cento das gravidezes? Até a Sociedade admite que “com efeito, se acidentalmente o sangue da mãe se misturar com o do feto, podem-se desenvolver mais tarde problemas de saúde.”9.  Isso não certamente o propósito de Deus, certo? 

ISABEL:  Susana, se é o propósito de Deus ou não, eu não posso julgar. Mas uma coisa eu pergunto: Se é estritamente contra a lei de Deus aceitar transfusões de sangue, porque é que Deus permite que estas ocorram em 50 por cento das gravidezes? Não pensa que se a transferência de sangue de um sistema sanguíneo de uma pessoa para o de outra fosse uma violação séria da lei de Deus, Ele faria tudo para que tal nunca ocorresse em nenhuma gravidez? Enquanto pode ser verdade que isto ocorre em apenas 50 por cento das gravidezes mencionadas pelos Doutores Oski e Naiman, isto nada diz sobre o que ocorre no trabalho de parto. O livro Conception to Birth—Epidemiology of Prenatal Development nota que é “comum” aos “glóbulos do sangue do feto terem acesso à corrente sanguínea materna …no decorrer do trabalho de parto.”10. Visto que a entrada dos glóbulos vermelhos do feto na corrente do sangue da mãe é comum durante a gravidez e trabalho de parto, porque é que a Sociedade continua a manter a sua posição de que a transfusão de sangue é uma violação da lei de Deus? 

SUSANA: Eu não tenho certeza, Isabel. 

ISABEL:  Susana, lembrasse como na semana passada nós falamos  acerca do facto de que uma transfusão de sangue não é a mesma coisas que comer sangue porque esta, não é digerida quando é transfundida nas veias do corpo? 

SUSANA: Sim, Isabel. E também discutimos como a Sociedade Torre de Vigia admite que o sangue é um tecido do corpo e que uma transfusão não é nada menos que um transplante de tecido.11.

ISABEL:  Está correta, Susana. Você sabia que uma das maneiras de sabermos que o sangue transfundido é tecido transplantado, não funcionando como comida para o corpo, é pelo facto de que as células de sangue do feto têm sido detetadas na mulher por vários anos, após dar à luz? O livro Williams Obstetrics afirma que “a incapacidade da placenta manter absoluta integridade do feto e das circulações maternas é documentado por numerosas descobertas da passagem de glóbulos entre mãe e feto em ambas as direções.…Leucócitos [glóbulos brancos] carregando o cromossoma Y têm sido identificados na mulher até mesmo 5 anos após dar à luz o seu filho.”12. Pode ver como a lei de Deus apenas condena o comer literalmente o sangue e não se aplica à transferência de sangue de um sistema sanguíneo de uma pessoa para outra?  Caso contrário, porque Deus iria permitir que isso acontecesse de modo natural na gravidez e no trabalho de parto? 

SUSANA: Isabel, é um ponto interessante, mas eu não percebo. Se Jeová quer que nós aceitemos sangue em nossos corpos, através da transfusão, porque ele ordenou aos Cristãos em Atos 15:29 para  “abster…de sangue”?  Não exclui essa ordem, quaisquer formas de tomar sangue? 

ISABEL:  Susana, vamos ver a passagem no seu contexto. Em Atos 15, nós lemos sobre a congregação de Antioquia. Alguns dos irmãos lá estavam disputando sobre se os Cristãos Gentios deveriam cumprir com a lei Judaica da circuncisão de forma a serem salvos. Um concílio em Jerusalém foi chamado para discutir este assunto e os versículos 28 e 29 revelam a decisão judicial que resultou desse concílio. Quer ler, Susana? 

SUSANA: OK. “Pois, pareceu bem ao espírito santo e a nós mesmos não vos acrescentar nenhum fardo adicional, exceto as seguintes coisas necessárias: de persistirdes em abster-vos de coisas sacrificadas a ídolos, e de sangue, e de coisas estranguladas, e de fornicação. Se vos guardardes cuidadosamente destas coisas, prosperareis. Boa saúde para vós!”13. 

ISABEL:  Susana, em adição à ordem de abster de sangue, esta passagem diz aos Cristãos para “abster-vos…de coisas estranguladas.” Como é que alguém se abstém de coisas que foram estranguladas? Não está isto referindo-se a abster-se no sentido de não comer essas coisas que foram estranguladas porque não foram sangradas devidamente? E que dizer do outro comando de “abster-vos….de coisas sacrificadas a ídolos”? Não está isto a referir-se acerca de abster-se por não comer comida que foi sacrificada a ídolos? 

SUSANA: Bem, eu penso que está certa, Isabel. 

ISABEL:  Então, não é lógico concluir do contexto de Atos 15, que esta passagem está falando de “abster-se” no sentido de não comer sangue, e não se aplica à transferência de sangue de um sistema sanguíneo de uma pessoa para outra?

SUSANA: Estou a ver o seu ponto de vista, Isabel. Mas são as transfusões realmente tão seguras? Na Despertai de 22 de Outubro de 1990, a Sociedade afirma que “as probabilidades de contrair-se AIDS em uma transfusão de sangue são de 1 em 28.000.… E a AIDS não é o único perigo advindo das transfusões de sangue. Longe disso…… A hepatite infecta centenas de milhares e mata muitos mais receptores de transfusão do que a AIDS.…”14.

ISABEL:  Susana, desde 1990, quando a Sociedade publicou esse artigo, muito progresso foi feito de forma a garantir a segurança das transfusões de sangue. Enquanto o artigo da Sociedade de 1990 afirmava que a possibilidade de contrair AIDS (SIDA) de uma transfusão de sangue era 1 em 28.000, o relatório Consumer Reports de Setembro de 1999, apontava que essa hipótese havia decrescido significativamente para 1 em 1 milhão para a AIDS (SIDA) e 1 para cem mil para a hepatite C. O relatório Consumer Reports de 1999 foi ao ponto de afirmar que “…a probabilidade de infecção a partir de duas unidades de transfusão de sangue é substancialmente menor do que a chance de ser assassinado ou de morrer num acidente de viação durante um ano.” E prosseguiram a explicar que “de facto, para um paciente de hospital, o maior risco demonstrado aqui é o de morrer de uma reacção adversa a algum medicamento.…As transfusões salvam cerca de 10.000 vidas por dia.…”15.  Assim, Susana, qual é o risco maior—morte devido a evitar uma transfusão de sangue ou morrer devido a sangue contaminado? 

COMENTÁRIOS:

Amigos, existe uma grande diferença entre a forma respeitável em que o sangue é tratado como uma substância sagrada ao salvar a vida através de uma transfusão, e a forma vergonhosa em que as religiões pagãs dos tempos Bíblicos bebiam sangue na tentativa de ganhar força e a vitória. Enquanto que a Bíblia é clara acerca de evitar o uso digestivo do sangue para a nutrição, em nenhum lugar da Bíblia se condena o tratamento médico da transfusão para repôr o suprimento de sangue num ser humano vivo. Assim como os doadores oferecem o seu sangue para restaurar a vida física, da mesma forma Jesus ofereceu o Seu sangue para nos dar vida eterna. Você gostaria de receber a redenção oferecida no sangue de Cristo?

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1. A Sentinela, 1 de Junho, 1990, pág. 30
2. A Sentinela, 15 de Junho, 2000, págs. 30-31
3. A Sentinela, 1 de Junho, 1990, pág. 31
4. Como Pode o Sangue Salvar a Sua Vida?, 1990, pág. 14
5. Veja Despertai! 8 de Fevereiro, 2001, pág. 14
6. Breastfeeding—A Guide for the Medical Profession (Amamentação—Um Guia para a Profissão Médica),
4ª Edição, por Ruth A. Lawrence (Mosby – Year Book, Inc, 1994), pág. 154, (Edição em inglês)
7. A Pictorial Handbook of Anatomy and Physiology, (Um Manual Ilustrado de Anatomia e Fisiologia), 1978, por James Brevan, pág. 36, (Edição em inglês)
8. Hematologic Problems In the Newborn (Problemas Hematológicos no Recém-Nascido), 3ª Edição, 1982, por Frank A. Oski M.D. and J. Lawrence Naiman M.D., pág. 41, (Edição em inglês)
9. A Sentinela, 1 de Junho, 1990, pág. 31
10. Conception to Birth—Epidemiology of Prenatal Development, ((Da Concepção ao Nascimento—Epidemiologia do Desenvolvimento Pré-Natal), por Jennie Kline, Zena Stein, Mervyn Susser, (Oxford University Press, 1989), pág. 98, (Edição em inglês)
11. Veja As Testemunhas de Jeová e a Questão do Sangue, 1977, págs. 41-42; Como Pode o Sangue Salvar a Sua Vida?, pág. 8; Despertai!, 22 de Agosto, 1999, pág. 31
12. Williams Obstetrics,(Williams Obstetrícia) 19ª Edição (Norwalk, CT: Appleton and Lange, 1993), pág. 127, (Edição em inglês)
13. Tradução do Novo Mundo
14. Despertai! 22 de Outubro, 1990, págs. 8-9
15. Consumer Reports, Setembro 1999, págs. 61, 63

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