Será que Jesus ressuscitou dentre os mortos num corpo espiritual invisível?

 

Resurrection of Jesus

.:SERÁ QUE JESUS RESSUSCITOU DENTRE OS MORTOS NUM CORPO ESPIRITUAL INVISÍVEL? Análise do Entendimento da Ressurreição da Torre de Vigia

RESUMO DOS CONTEÚDOS:

O ENTENDIMENTO DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ SOBRE A RESSURREIÇÃO
A CONTROVÉRSIA DA RESSURREIÇÃO – UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA
ARGUMENTOS CONTRA UMA RESSURREIÇÃO CARNAL

1º ARGUMENTO: O SEU CORPO – O ÚLTIMO SACRIFÍCIO:

2º ARGUMENTO: O ÚLTIMO ADÃO, UM “ESPÍRITO VIVIFICANTE”:
3º ARGUMENTO: “VIVIFICADO NO ESPÍRITO”:
4º ARGUMENTO: “CARNE E SANGUE” NÃO PODEM HERDAR OS CÉUS:
5º ARGUMENTO: JESUS NÃO FOI RECONHECIDO:
6º ARGUMENTO: ACÇÕES SOBRENATURAIS REALIZADAS:
RESSURREIÇÃO OU REENCARNAÇÃO?
É MIGUEL O RESSUSCITADO JESUS?
IRÃO TODOS OS CRISTÃO RECEBER CORPOS RESSUSCITADOS?

O ENTENDIMENTO DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ SOBRE A RESSURREIÇÃO

As Testemunhas de Jeová afirmam acreditar na “ressurreição” de Jesus Cristo, mas a sua definição de ressurreição difere da posição histórica do cristianismo, que ensina que Jesus levantou Seu corpo humano de “carne e osso”. Em vez disso, a Sociedade Torre de Vigia afirma que Jesus não levantou o Seu corpo humano físico, mas antes um espírito invisível — o arcanjo Miguel. Elas declaram:

…na sua ressurreição ele “tornou-se espírito vivificante”. Foi por isso que na maioria do tempo ele foi invisível aos seus apóstolos fiéis…Ele não precisava mais de um corpo humano… O corpo humano de carne, que Jesus Cristo entregou para sempre como sacrifício de resgate, foi eliminado pelo poder de Deus.” — “Things in Which it is Impossible for God to Lie (Coisas em Que é Impossível que Deus Minta),” págs. 332, 354 (Edição em inglês)

“Portanto, a evidência indica que o Filho de Deus, antes de vir à terra, era conhecido como Miguel, e também é conhecido por esse nome desde que retornou ao céu, onde reside como o glorificado Filho espiritual de Deus.” — Raciocínio à Base das Escrituras, 1985, 1989, pág. 219

Romanos 10:9 articula dois requerimentos para a salvação. O primeiro é confessar “Jesus como Senhor”. O segundo requerimento é acreditar que “Deus o ressuscitou dentre os mortos”. Similarmente, o apóstolo Paulo resume o evangelho em 1 Coríntios 15:3-5:

Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E apareceu a Cefas e, depois, aos doze.”1.

Paulo não apenas declara que um dos principais pilares do evangelho é a crença de que Jesus ressuscitou dos mortos, mas no versículo 17, ele vai ao ponto de dizer que “se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.” Por séculos, cristãos têm ensinado e defendido a doutrina da ressurreição – ensinando que Jesus ressuscitou fisicamente no mesmo corpo no qual morreu. Note a relação entre um corpo humano corruptível e um corpo humano incorruptível, conforme descrito em 1 Coríntios 15:42-44

“Pois assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção. Semeia-se em desonra, ressuscita em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder. Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual.”

O termo grego, “soma” para “corpo” é sempre usado nas Escrituras para se referir à natureza física. Do mesmo modo, o termo “espiritual” é usado nas Escrituras para significar comportamento “sobrenatural” — não uma essência “espiritual” do ser. Assim, a frase “corpo espiritual” na passagem acima fala de um corpo “fisicamente sobrenatural” — não um “corpo espiritual”. Outro exemplo de que o termo “espiritual” refere-se a comportamento “sobrenatural” é em 1 Coríntios 2:15 onde lemos: “Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém.” A pessoa “espiritual” em ambas as passagens está-se comportanto de um modo “sobrenatural”, não transformando  ontologicamente a essência “humana” numa essência de “espírito”.

A CONTROVÉRSIA DA RESSURREIÇÃO – UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA

As Testemunhas de Jeová não são as primeiras a negar a ressurreição corpórea de Jesus. Durante o tempo dos apóstolos bíblicos, o movimento herético do Gnosticismo começou a invadir o cristianismo e floresceu no segundo e terceiro séculos. O Gnosticismo foi uma crença esotérica que prometia a libertação do mundo material que era visto como completamente iníquo. Esta libertação viria através da revelação do secreto “gnosis” (conhecimento) do divino reino espiritual transcendente que apenas os Gnósticos possuíam. O dualismo Gnóstico ensinava que a natureza espiritual era boa e que tudo o que estava relacionado com o físico mundo material era mau. Assim, os Gnósticos argumentavam que Jesus não poderia ser totalmente divino caso possuísse um corpo humano físico.

Em resposta a esta heresia, João replicou: “…todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus.” – 1 João 4:2-3 Ele continuou a dizer que “muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo.” — 2 João 1:7

Do mesmo modo, Inácio que viveu em 35-107 A.D., defendeu a ressurreição corpórea de Cristo. Ele havia sido um estudante do apóstolo bíblico João e estava servindo como bispo de Antioquia quando foi condenado pela sua fé em Cristo. No caminho para o seu martírio em Roma, Inácio escreveu sete cartas que testificam a teologia dos primeiros cristãos. Ele declarou:

“Capítulo III. — Cristo era possuidor de um corpo após a Sua ressurreição… Pois eu sei que após a Sua ressurreição, Ele também era possuidor de carne, e acredito que Ele também é agora… E eu sei de que Ele era possuidor de um corpo, não apenas sendo nascido e crucificado, mas também eu sei que Ele era também após Sua ressurreição, e acredito que o é agora. Quando, por exemplo, Ele veio àqueles que estavam com Pedro, Ele disse-lhes: “Observem, tocai-me e vejam que Eu não sou um espírito incorpóreo. Pois um espírito não possui carne e ossos, como Vós podeis ver que Eu tenho… E assim foi Ele, em carne, recebido acima à vista deles por Aquele que o enviou, tendo a mesma carne com que virá de novo, acompanhado com glória e poder.” — The Ante-Nicene Fathers (Pais Ante-Nicéia), vol. 1, pág. 87 (Alexander Roberts and James Donaldson, Eardmans Publishing Company, 1969 – Edição em Inglês)

De facto, as Escrituras são testemunhas desta realidade, quando declaram de que em Cristo, “nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Colossenses 2:9). Em Lucas 24:37-39, este testemunho é dado sobre a ressurreição do Senhor:

“Eles, porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um espírito. Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.”

ARGUMENTOS CONTRA UMA RESSURREIÇÃO CARNAL

Embora Jesus tenha testificado que Ele não ressuscitou como “um espírito”, a Sociedade Torre de Vigia afirma que Jesus levantou-se como o Arcanjo Miguel, uma pessoa “espiritual” invisível. Afirmando que Jesus existiu como Miguel antes de descer à terra, as Testemunhas de Jeová acreditam que na sua morte, o “homem” Jesus cessou de existir.2.   Então o que dizer das aparições em carne humana após a ressurreição? O que aconteceu com o corpo real de Jesus? A Sociedade oferece a seguinte explicação:

“Irrompeu uma guerra no céu: Miguel [que é o ressuscitado Jesus Cristo] e os seus anjos batalhavam com o dragão… Tendo dado sua carne a favor da vida do mundo, Cristo jamais poderia tomá-la de volta e se tornar homem de novo. Por essa razão básica sua volta nunca poderia ser com o corpo humano que sacrificou uma vez para sempre. Contudo, muitos crêem que Cristo levou seu corpo carnal ao céu. Indicam o fato de que, quando Cristo foi ressuscitado, seu corpo carnal não se encontrava mais no túmulo. (Marcos 16:5-7) Também, após a sua morte, Jesus apareceu a seus discípulos num corpo carnal para mostrar-lhes que estava vivo… Não prova isso que Cristo foi levantado no mesmo corpo em que fora morto? Não, não prova. A Bíblia é muito clara quando diz: “Cristo morreu uma vez para sempre quanto aos pecados . . ., sendo morto na carne, mas vivificado no espírito.” (1 Pedro 3:18) Humanos com corpos de carne e sangue não podem viver no céu… Apenas criaturas espirituais, com corpos espirituais, podem viver no céu… Então, que aconteceu ao corpo carnal de Jesus? Não encontraram os discípulos o seu túmulo vazio? Sim, porque Deus removeu o corpo de Jesus… Mas, visto que foi possível o apóstolo Tomé pôr sua mão no orifício no lado de Jesus, não mostra isso que Jesus foi ressuscitado no mesmo corpo que foi pregado na estaca? Não, pois Jesus simplesmente se materializou, ou assumiu um corpo carnal, como os anjos haviam feito no passado… Embora aparecesse a Tomé num corpo similar ao em que fora morto, Ele assumiu também corpos diferentes ao aparecer a Seus seguidores. De modo que Maria Madalena de início pensou que Jesus fosse um jardineiro. Em outras ocasiões seus discípulos não o reconheceram logo.… Jesus Cristo… foi o primeiro a ser ressuscitado qual pessoa espiritual. (1 Pedro 3:18)” — Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, 1982, pág. 21, 1989, págs. 143-145, 172

Como poderemos ver na citação acima, a Torre de Vigia dá diversos argumentos contra a ideia de que Jesus foi levantado no seu corpo humano físico. Iremos agora examiná-los:

1º ARGUMENTO: O SEU CORPO – O ÚLTIMO SACRIFÍCIO:

A Torre de Vigia argumenta que Jesus ofereceu o seu corpo de carne como um sacrifício final pelo pecado, de modo que Ele não podia ter de novo seu corpo sem anular o sacrifício. Este argumento é falho, porque em lado nenhum da Bíblia existe um exemplo dado onde um sacrifício de “carne” expia o pecado. Pelo contrário, todas as referências com respeito à purificação do pecado falam de “derramamento de sangue”. Hebreus 9:22 declara:

“Com efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há remissão.”

Assim, Jesus foi capaz de derramar o seu “sangue” como pagamento pelo pecado, e contudo ressuscitar o seu corpo de “carne e ossos”, sem comprometer o sacrifício de salvação. Deste modo, Ele proclamou:

“Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai.” — João 10:17-18

“Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei. Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias, o levantarás? Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo.” — João 2:19-21

2º ARGUMENTO: O ÚLTIMO ADÃO, UM “ESPÍRITO VIVIFICANTE”:

1 CORÍNTIOS 15:45: Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante.

Referindo-se a esta passagem, os apologistas Norman Geisler e Thomas Howe explicam: “…“espírito vivificante” não fala da natureza da ressurreição do corpo, mas da origem divina da ressurreição. O corpo físico de Jesus voltou à vida apenas pelo poder de Deus (cf. Rom. 1:4). Assim, Paulo está falando acerca da sua fonte espiritual, não da sua substância física como corpo material… Em suma, a ressurreição do corpo é chamada “espiritual” e “espírito vivificante” porque a sua fonte é o reino espiritual, não porque a sua substância é imaterial. A ressurreição sobrenatural de Cristo é “do céu”, assim como o corpo natural de Adão era “da terra” (v. 47). Mas assim como aquele da “terra” também tem uma alma imortal, do mesmo modo Aquele do “céu” também tem um corpo material.” —When Critics Ask, A Popular Handbook of Bible Difficulties (Quando os Críticos Questionam, Um Manual Popular de Dificuldades Bíblicas), págs. 467-468 (Victor Books, 1992 – Edição em inglês)

3º ARGUMENTO: “VIVIFICADO NO ESPÍRITO”:

1 PEDRO 3:18: “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados… morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito.”

As Escrituras habitualmente empregam os termos “na carne” e “no espírito” para contrastar o modo de vida carnal ou pecaminoso, com o modo de vida espiritual piedoso. Por exemplo, em Romanos 8:8-9 nós lemos que os cristãos que têm o Espírito de Deus andam “no espírito” em vez de “na carne”. É óbvio que Paulo não está ensinando que os cristãos que andam “no espírito” são criaturas espirituais. Antes, Paulo está proclamando que, por andar “no espírito”, esse está andando pelo poder do Espírito Santo de Deus. Do mesmo modo, 1 Pedro 3:18 proclama que Jesus foi levantando dos mortos “no [poder do] Espírito.”

De facto, Jesus que foi “vivificado no espírito”, não se tornou um espírito, mas foi “vivificado” para o sobrenatural, reino eterno de vida espiritual. Jesus foi morto “na carne” — isto é, no reino carnal do homem pecador (não que Ele fosse pecador, mas que Ele viveu entre os pecadores), e Ele foi vivificado “no espírito” — isto é, no reino eterno (espiritual), não mais amarrado à vida terrestre com todas as suas limitações.

4º ARGUMENTO: “CARNE E SANGUE” NÃO PODEM HERDAR OS CÉUS:

1 CORÍNTIOS 15:50: “Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção.”

Jehovah’s As Testemunhas de Jeová afirmam que Jesus não poderia ter sido ressuscitado com Seu corpo humano de carne e ossos, porque as Escrituras declaram que “carne e sangue” não podem herdar o reino de Deus. Note que Jesus não disse que o Seu corpo ressuscitado era feito de “carne e sangue”. Antes, Ele disse que o Seu corpo era feito de “carne e osso” (Lucas 24:39). Isto é significativo porque o termo “carne e sangue” é usualmente usado nas Escrituras para se referir à humanidade mortal, 3. em contraste com o imperecível, corpo ressuscitado ao qual se alude pela frase “carne e ossos.”

Como mencionado antes, o sangue de Jesus providenciou a expiação pelo pecado. Ele não recebeu Seu “sangue” de volta, mas meramente ressuscitou seu corpo de carne e ossos. Longe de afirmar que o corpo humano ressuscitado não pode herdar o reino de Deus, esta passagem assevera que o mortal, perecível corpo humano (feito de carne e sangue) não pode herdar o imortal,  imperecível reino de Deus. É como declara 1 Coríntios 15:53: “este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade.”

5 ARGUMENTO: JESUS NÃO FOI RECONHECIDO:

Um dos argumentos habituais que as Testemunhas de Jeová usam contra a ressurreição corporal de Jesus é o facto de que Jesus não foi sempre reconhecido após a Sua ressurreição. Afirmando que Jesus retornou à vida como uma criatura espiritual, elas afirmam: “Jesus simplesmente se materializou, ou assumiu um corpo carnal, assim como anjos o fizeram no passado” de modo a provar que Ele ressuscitou dentre os mortos 4. Assim, elas afirmam que Jesus não foi prontamente reconhecido, porque Ele não foi ressuscitado no Seu corpo original. Será que a ausência de reconhecimento dos seus discípulos prova que Jesus se levantou do túmulo como um espírito invisível que se manifestou em “diferentes” corpos aos Seus seguidores? Iremos agora examinar as passagens das Escrituras em questão:

Lucas 24:13-35 descreve uma ocasião em que Jesus apareceu aos Seus discípulos na estrada para Emaús, mas eles inicialmente não o reconheceram. Em nenhum lado da passagem diz que Jesus tinha um corpo com aparência diferente. Pelo contrário, a passagem diz que os olhos dos discípulos “estavam como que impedidos de o reconhecer” (Lucas 24:16). Não foi senão apenas quando Ele terminou de falar e comer com eles, que Deus permitiu que os seus olhos se “abrissem”, de modo a reconhecer Jesus (Lucas 24:31).

João 20:15 conta o relato que Maria pensava que Jesus era o jardineiro ao visitar pela primeira vez o túmulo vazio. Quando consideramos que Maria estava cega pelo seu pesar, “sendo ainda escuro” porque ainda era bem cedo (João 20:1), não é de surpreender que Maria tenha confundido Jesus com o jardineiro.

João 21:4 declara: “…Jesus na praia; todavia, os discípulos não reconheceram que era ele”. O contexto revela que os discípulos estavam longe da costa e não estavam esperando que o Senhor estivesse ali. Contudo, no versículo sete, nós lemos que João, de facto, reconheceu Jesus.

Em cada uma destas ocasiões, existem explicações lógicas e razoáveis para o porquê de Jesus não ser imediatamente reconhecido em cada uma das Suas aparições após a sua ressurreição. Para além disso, do mesmo modo que Jesus não foi imediatamente reconhecido após a Sua ressurreição, nós lemos exemplos onde Ele não foi prontamente reconhecido antes da Sua morte.  

Mateus 14:26 regista um evento em que os discípulos de Jesus confundiram-no com um “espírito”. Deveremos assumir que antes da morte de Jesus, Ele assumiu um corpo “diferente” nesta ocasião, porque os discípulos não o reconheceram? Obviamente que não!

Em Lucas 4:28-30, nós lemos de um incidente no qual os judeus estavam prestes a apedrejá-lo por blasfémia. As Escrituras registam que em vez de o apedrejarem, Jesus passou pelo meio dos judeus e eles não fizeram absolutamente nada. Não acha que se os judeus tivessem reconhecido Jesus na multidão, eles teriam continuado a tentar apedrejá-lo? Visto que este incidente aconteceu antes da morte de Jesus, nós sabemos que Ele não se estava a manifestar também num corpo “diferente”. Assim, o simples facto de que os discípulos de Jesus nem sempre o terem reconhecido em certas alturas, antes e depois da Sua ressurreição, não prova que Ele estava num corpo “diferente”! De facto,  o raciocínio da Torre de Vigia contra a ressurreição corpórea de Jesus desmorona-se debaixo de escrutínio.

6º ARGUMENTO: ACÇÕES SOBRENATURAIS REALIZADAS:

A Torre de Vigia argumenta que Jesus não poderia ter realizado as atividades sobrenaturais que Ele fez com o seu corpo, caso este fosse um corpo humano físico. João 20:26 declara: “Estando as portas trancadas, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco!” A Sociedade pergunta: “…Mas, como foi possível naquela ocasião ele aparecer repentinamente no meio deles apesar de as portas estarem trancadas?” — Raciocínios à Base das Escrituras, pág. 218

Como resposta, deveremos considerar o facto de que Jesus criou todas as coisas e presentemente mantém todas as coisas juntas (Colossenses 1:16-17). Não será certamente desarrazoado concluir que o Senhor do Universo, o próprio Jesus, pode arranjar e rearranjar a estrutura molecular de qualquer coisa segundo a sua vontade.

O texto simplesmente declara que Jesus apareceu e ficou no “meio” dos Seus discípulos. Não diz que ele passou através das paredes ou do telhado. Considere também que Jesus realizou obras milagrosas com o Seu corpo antes da Sua ressurreição, tais como em Mateus 14:26 onde Jesus é visto andando sobre a água. Por isso, aparições sobrenaturais com o Seu corpo humano ressuscitado não teriam sido difíceis para Ele.

RESSURREIÇÃO OU REENCARNAÇÃO?

A página 293 da edição de 1989 do Raciocínios à Base das Escrituras (um livro publicado pela Sociedade Torre de Vigia) afirma que “Reencarnação” é a crença de que alguém “renasce num outro corpo”. A Torre de Vigia vai ao ponto de dizer que isto “não é ensinamento bíblico”. Como já vimos anteriormente, a Torre de Vigia afirma que Jesus “assumiu também corpos diferentes” quando Ele apareceu aos Seus seguidores. Eles também declaram na página 325 do seu livro Raciocínios: “Jesus não apareceu sempre no mesmo corpo de carne”.

Como é esta visão da ressurreição diferente da reencarnação? Poderemos concluir que a única diferença está na maneira de voltar à vida —nomeadamente, nascimento em vez de se erguer do túmulo. De qualquer modo, o resultado final — um corpo diferente — não é ressurreição, mas reencarnação!  

Na página 324 do livro da Sociedade, Raciocínios, elas admitem que a palavra grega para ressurreição (anastasis) significa “ficar de pé de novo” ou “revivificação dos mortos”. Assim, para ser classificado como uma “ressurreição”, tem de existir uma ligação real entre o corpo que morreu e o corpo que foi levantado. Visto que Jesus não morreu como criatura espiritual, Ele não poderia ter sido levantado como uma criatura espiritual. Visto que Miguel, o Arcanjo não morreu, Miguel, o Arcanjo não poderia ter sido ressuscitado. Se o corpo ressuscitado de Jesus não é o original, então tem de ser uma falsificação. É tão simples quanto isso!

Em João 2:18-22, Jesus respondeu aos judeus que o desafiaram a mostrar a eles um sinal da Sua autoridade. No versículo 19, Ele disse: “ Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei.” Os judeus entenderam mal a quem Ele se estava a referir e pensaram que Ele estava falando do templo em Jerusalém. Então, no versículo 21, João explicou que Jesus “se referia ao santuário do seu corpo”.

Poderia Jesus estar falando acerca do “corpo espiritual” de Miguel, o Arcanjo sendo ressuscitado? Não! Ele não se poderia estar a referir a um “corpo espiritual”, porque os judeus não destruíram o “corpo espiritual” de Jesus. Eles destruíram o Seu corpo humano, de modo que foi o Seu corpo humano que Ele prometeu erguer.

Quando foi que os discípulos de Jesus souberam o que Ele queria dizer lá no versículo 19? Nós encontramos a resposta no versículo 22, onde João escreveu: “Quando, pois, Jesus ressuscitou dentre os mortos, lembraram-se os seus discípulos de que ele dissera isto; e creram na Escritura e na palavra de Jesus”. De facto, se o corpo físico que os judeus destruíram não foi ressuscitado, a profecia de Jesus provou-se falsa e nossa fé não tem valor.

A Bíblia claramente ensina que o “homem” Jesus que morreu é o mesmo “homem” Jesus que foi ressuscitado. 1 Timóteo 2:5 declara: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”. Ele atualmente senta-se ao lado direito de Deus como o “homem” que medeia em nosso favor. Um dia, Jesus irá física e visivelmente regressar para julgar o mundo, como “Filho do Homem” — um termo Messiânico, denotando a sua humanidade:

“Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste; entretanto, eu vos declaro que, desde agora, vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu.”  — Mateus 26:64 (cf. Daniel 7:13)

“Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória.” — Mateus 24:30 (cf. Revelação 1:7)

“Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos.”
— Atos 17:31

É MIGUEL O RESSUSCITADO JESUS?

Está para além do objetivo deste artigo apresentar todas as razões bíblicas para negar que Jesus é Miguel, o Arcanjo, mas considere estes pontos:

  1. Jesus jamais é chamado diretamente nas Escrituras de “Miguel”.
  2. Jesus tem a autoridade para replicar Satanás (Mateus 16:23; Marcos 8:33) enquanto Miguel, o Arcanjo não (Judas 9; 2 Pedro 2:11).
  3. Jesus é Deus o Criador de tudo, incluindo os anjos (João 1:1-3; Colossenses 1:15-16)
  4. Jesus é chamado “Filho” de Deus de um modo que nenhum anjo foi alguma vez chamado (Hebreus 1:5).
  5. Jesus é “mais excelente” do que os anjos (Hebreus 1:4), recebe “adoração” dos anjos (Hebreus 1:6), e ele herdou o Reino, não dado aos anjos (Hebreus 2:5).

IRÃO TODOS OS CRISTÃO RECEBER CORPOS RESSUSCITADOS?

A Torre de Vigia afirma que existem dois grupos de cristãos; aqueles que ressuscitam para a vida no céu e aqueles que ressuscitam para a vida na terra. Não apenas a doutrina da Sociedade Torre de Vigia nega o corpo humano físico de Jesus, mas nega também a todos os que estão destinados a viverem no céu, os seus corpos. Apenas aqueles destinados a viverem na terra é que receberão corpos humanos físicos.

Será que a Bíblia apoia a ideia de que apenas alguns receberão corpos ressuscitados? Nós já vimos que a Torre de Vigia distorce as Escrituras, de modo a negar a ressurreição corpórea de Jesus, e este ensino não é exceção. Iremos agora considerar o que as seguintes Escrituras têm a dizer:

“Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas.” — Filipenses 3:20-21

“Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.” —1 João 3:2

As Escrituras prometem que os nossos corpos humanos físicos serão transformados na semelhança do corpo glorioso de Jesus. Explica que isto ocorrerá pela transformação dos nossos corpos mortais “corruptíveis” em corpos sobrenaturais “incorruptíveis” que estarão fisicamente capazes de herdar o Céu.

“Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória.” — 1 Coríntios 15:50-54

É significativo que a frase “revista” é usado ao longo de 1 Coríntios 15. Indica adicionar algo à humanidade, não retirar algo. 1 Tessalonicenses 4:14-17 também descreve este evento.

“Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem. Ora, ainda vos declaramos, por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor.”

Estas passagens descrevem dois grupos de cristãos: Aqueles que receberão corpos ressuscitados após a morte e aqueles cujos corpos viventes são transformados de corruptíveis em incorruptíveis na segunda vinda de Cristo.

Nós sabemos pelas Escrituras que imediatamente depois da morte, a alma dos cristãos que morrem antes do retorno de Cristo, vão imediatamente ficar “com” Jesus (2 Coríntios 5:6-9; Filipenses 1:21-23). Visto que as suas almas estão “com Cristo”, 1 Tessalonicenses 4:14 explica que quando Cristo retorna, Deus “trará, em sua companhia, os que dormem.” Não é senão no versículo 16 que nós vemos que as almas destes cristãos são reunidas com seus corpos ressuscitados. Assim, os primeiros a receberem os seus corpos ressuscitados são as “almas” dos cristãos cujos corpos “dormem” no túmulo e estão presentemente “com Cristo.” 5.

Cristãos que estão vivos no tempo da segunda vinda de Cristo são o segundo grupo a receber corpos glorificados. Eles não morrem porque os seus corpos mortais são imediatamente transformados em corpos de carne e osso incorruptíveis. Assim como a Escritura declara: “seremos transformados” (1 Coríntios 15:51) e “arrebatados juntamente com eles” (aqueles que já tinham morrido), para encontrar o Senhor Jesus no ar (1 Tessalonicenses 4:17).

Em 1 Pedro 3:7-13 e Revelação 21, a Bíblia declara que após o reinado de 1.000 anos de Cristo, Deus irá criar “novos céus” e uma “nova terra” para todos os cristãos usufruírem. É a nossa posição que visto que Jesus era capaz de viajar entre o céu e a terra com seu ressuscitado corpo físico glorificado, cristãos serão capazes de fazer o mesmo com seus corpos glorificados. Deste modo, a Bíblia declara que Deus “transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua [Jesus]  glória” (Filipenses 3:21).

Em lado nenhum existe qualquer distinção entre os corpos ressuscitados dos cristãos que herdarão o céu, e daqueles que herdarão a terra. De facto, alguém procurará em vão encontrar qualquer alusão sobre a ideia de que apenas 144.000 pessoas irão herdar os céus, enquanto o restante permanecerá na terra. É verdade que os cristãos governarão sobre os habitantes da terra durante o reinado de 1.000 anos de Cristo, mas a Bíblia descreve estes cristãos como aqueles que foram mortos durante a Grande Tribulação e ressuscitaram para a vida para governar com Cristo sobre os habitantes descrentes na terra. Revelação 20:4-5 explica:

“Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição.”

Finalmente, nós lemos acerca do último grupo de pessoas destinadas a serem ressuscitadas, Elas são aquelas que rejeitaram a salvação em Cristo. A Bíblia declara que quando elas morreram, as suas “almas” imediatamente habitaram o “inferno” ou “Hades” como punição (Lucas 16:22-29). Embora seus corpos permaneçam na sepultura até depois do reinado de 1.000 anos de Cristo ter sido completado sobre a terra, Revelação explica que no fim deste tempo, Deus irá ressuscitar, quer a “morte” e o “Hades” para o julgamento final e lançá-los no tormento eterno da “segunda morte”, chamado de “lago de fogo”.

“Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade… Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros. Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras. Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo.”
— Revelação 20:5-6; 12-15

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1.  Salvo indicação em contrário, todas as referências são da Almeida Revista e Atualizada.
2.Veja Estudo das Escrituras, vol.5, 1899, pág. 454 (edição em inglês) e “Coisas em que é Impossível que Deus minta,” págs. 332, 354 (edição em inglês)
3.Veja Mateus 16:17; Gálatas 1:16; Efésios 6:12
4.Poderá Viver para Sempre no Paraíso na Terra, págs. 144-145
5. O uso das Escrituras “dormem”, não implica que a alma está inconsciente enquanto o corpo permanece no túmulo. O termo “dormem” é usado como eufemismo para se referir à morte do corpo humano — não à alma imaterial que vive após a morte (Mateus 10:28).  Jesus usou este mesmo eufemismo quando falou da morte da menina doente que Ele trouxe à vida em Lucas 8:52. Aqueles que são tocados por Cristo descobrem que a morte não é o fim, mas meramente um despertar para a vida eterna fora do “sono” da sepultura.

 

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