A História da Saída de Pam das Testemunhas de Jeová

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O TESTEMUNHO DE PAM

“A Formação da Missfit – A Princesa do Rei!”

Eu era para ser o menino que ia salvar o casamento dos meus pais, mas no momento em que nasci, o meu pai tinha-se mudado para mais de trezentos kilómetros de distância e nunca mais voltou. A minha mãe casou-se novamente quando eu tinha 3 anos, mas divorciou-se após 6 meses, depois de descobrir que ele era homossexual. Até então, ela era presa fácil para as suas quatro irmãs mais novas que a convenceram a se juntar a elas em se tornar Testemunha de Jeová.

Eu amava muito a minha mãe, enquanto criança pequena, mas perdi o respeito por ela quando eu a vi permitir que esta organização governasse as nossas vidas, proibindo tudo, desde comemorar aniversários e Natal até receber uma transfusão de sangue para salvar vidas. Cada palavra que fomos ou não autorizadas a dizer foi cuidadosamente ditada, e em constante mudança. Inicialmente nós chamávamos os  nossos encontros de “classes”, mas depois, fomos obrigadas a nos referirmos a eles apenas como “reuniões”. Fomos obrigadas a conhecer a mais recente terminologia, e em constante mudança. O responsável da congregação passou de um “Servo de Congregação” para um “Superintendente” para o que é hoje – eu acho – um “ancião”. Nós tínhamos sido instruídas a chamá-los de “Comissão Judicativa”. Este terror atingiu o meu coração, visto que eu acreditava que eles foram nomeados pelo próprio Jeová que, eu acreditava, era muito duro e exigente.

Ensinaram-me que Deus estava determinado a destruir todos os de fora da nossa religião. As Testemunhas de Jeová ensinam que elas são a organização de Deus dirigida pelo Espírito e que só elas têm substituído Israel, como servos escolhidos de Deus. Este ensinamento foi o catalisador que me manteve dentro da organização nos meus pensamentos, mesmo depois de eu ter parado de assistir. Esta é uma reivindicação enorme, porque na minha mente, os seus ditames (e mesmo as mais leves sugestões da Torre de Vigia) têm mais peso do que as leis do país. Isto fomentou uma atitude de desconfiança da minha parte para com os de fora da organização.

Satanás não quer que as pessoas descubram a verdade de que confiar em Deus muda vidas. Satanás quer que nós fiquemos ressentidos com Deus para que nos rebelemos. Ele falsifica a verdade e é um ladrão que só vem para roubar, matar e destruir. Repetidamente, em cinco reuniões por semana, fomos informados de que “nós éramos o povo feliz de Deus”, mas isto não conseguia esconder a alta taxa de suicídio e os problemas mentais com que os superintendentes da congregação tinham de lidar. Quase todos os líderes que já deixaram a organização Torre de Vigia disseram, que lidar com o stress da disfunção dentro de suas congregações, foi o que os levou a beber tanto álcool. Foi-nos dito que SÓMENTE nós tínhamos a VERDADE, mas sabe o que mais? A verdade corresponde com a realidade, e a realidade era que as nossas vidas não funcionavam e havia muito pouca alegria.

Quando eu era jovem, tentei ser leal à organização, mas o trabalho de porta-em-porta era miserável. Assim, aos 11 ou 12 anos de idade, eu orava a Jeová para que Ele me fizesse querer servi-Lo. Hoje eu sei que Ele me respondeu, mas na época, acreditava que Deus me tinha reprovado completamente. Então, eu rapidamente me tornei uma adolescente muito rebelde. Quando eu tinha uns 10 anos, lembro-me da minha mãe gritando comigo e lamentando o dia em que eu nasci. Então, nesse ponto da minha vida, eu acreditava que não só o meu pai não me queria, como a minha mãe também não, e eu acreditava totalmente que Deus não me amava, porque eu não conseguia ser leal a todas as regras da organização. (A infração mais grave é que eu secretamente saudava a bandeira todos os dias na escola.)

Vou poupá-lo dos detalhes sangrentos, mas acreditando que eu não tinha permissão para viver após a idade de 25 anos (em 1975) e depois de uma busca desesperada por alguém que me amasse, eu me encontrei grávida aos 17 anos de idade. Nesse ponto, fui visitada pela “Comissão Judicativa” que votaram desassociar-me.

Eu casei-me e mudei-me dali, mas consegui que o meu marido fosse convertido, a fim de obter a minha família de volta. Nós os dois fomos batizados como Testemunhas de Jeová em 21 de dezembro de 1968. (O dia do ano com menos horas de luz do dia, um dia muito apropriado eu diria!) Seis dias antes do meu aniversário de 20 anos, o meu segundo filho nasceu. Por esse tempo, a nossa vida se tornou um inferno.

Eu finalmente encontrei o meu pai em 1971, quando eu tinha 21 anos, e seis dias depois, a minha mãe morreu. Ela havia sido o elo que me manteve ligada à organização. Eu estava tão zangada com Deus por deixá-la morrer, que jurei nunca me preocupar com Ele ou com a sua organização novamente. Até ao momento, eu tinha 22 anos, estava divorciada e a trabalhar numa fábrica, a fim de apoiar os meus dois filhos pequenos (de 2 e 4 anos).

Eu casei-me de novo (com um alcoólatra), mas acreditava totalmente na mentira de que o Armagedom ocorreria em 1975, então quando eu estava esperando o meu terceiro filho, tentei voltar para o Salão do Reino. Eu tinha sido desassociada por essa altura, por me casar numa Igreja Metodista, por isso era ostracizada. Foi uma tortura e eu deixei de ir. O meu terceiro filho nasceu em 1975 e eu descobri que me tinham mentido sobre o Armagedom, quando isso nunca aconteceu. Quando o meu filho mais novo tinha três anos de idade, o seu pai quase conseguiu tirar-me a vida por asfixia. Quando eu percebi que não ia sobreviver, porque não poderia lutar com ele, um pensamento me veio à cabeça. Ele disse: “Eles mentiram sobre o Armagedom. E se eles lhe mentiram sobre o inferno?” Eu pensei: “Eu posso estar indo para lá agora!” O meu pensamento seguinte foi: “Eu preciso descobrir a verdade!” Assim que esse pensamento entrou na minha mente, o meu marido deixou-me ir e não se moveu o resto da noite. Eu fiz a promessa a mim mesma de que eu iria procurar ajuda no dia seguinte.

A minha amiga no trabalho levou-me a um conselheiro que era um Cristão e ele me mostrou o verdadeiro plano de salvação a partir de uma verdadeira Bíblia. Eu lhe disse: “Isso é muito fácil!” Mas quando fui para casa naquela noite, depois de deitar os meninos, olhei para o céu à noite e disse a Deus que eu era sua e que não iria mais fugir Dele.

Isso foi a 2 de novembro de 1978. Tem sido um processo longo, demorado, mas quando comecei a estudar a Palavra de Deus em uma Bíblia verdadeira, o Espírito Santo desembaraçou a confusão na minha mente. Um dos meus “momentos de definição” nas passagens da Escritura, é encontrada em Isaías 6:1, onde o profeta Isaías viu o Senhor (Jeová) alto e elevado, mas em João 12:41 nós descobrimos que era Jesus quem ele viu. Isso provou-me que Jeová e Jesus são um só! Jesus não é apenas um anjo.

Um Deus cruel e exigente não poria de lado as Suas vestes de realeza para transformar-se em carne para morrer, para me libertar da escravidão a que eu tinha sido submetida em toda a minha vida. Mas eu estou convencida de que um Deus de AMOR o fez. Somente um Deus assim, pode levar alguém como eu e mudar-me completamente por dentro!

Eu dei por mim orando pelas Testemunhas de Jeová mais do que o habitual, enquanto eu observava a notícia e o sofrimento do povo iraquiano durante a Operação Liberdade do Iraque, porque eles também tinham sido trancados dentro de um regime perverso, que usou manipulação negativa para controlá-los. Às Testemunhas de Jeová também lhes é recusado o acesso à verdade e são ostracizadas se forem apanhadas a questionar as coisas.

Hoje, o meu marido e eu temos um ministério de palhaço, www.possumranch.com. Eu me chamo “Missfit”, porque isso é o que eu costumava ser. O nome do palhaço do Mike é “Merkie”. Eu confio totalmente no coração de Deus hoje. Eu estou em etapas e partilho como Deus tomou a menina que nunca teve permissão para celebrar qualquer coisa e fê-la num palhaço que chega para celebrar tudo o tempo todo!

Eu escrevi o meu testemunho ao som do “House of the Rising Sun” e “Taking Care of Business” e muitos outros oldies e cantei-os em muitos lugares, inclusive num ministério na prisão. Eu descobri que a minha história, na verdade, não é realmente diferente da dos aprisionados em qualquer lugar. Eu só não tinha barras físicas me mantendo lá dentro. O controle da mente de Satanás fez o seu trabalho muito bem.

 

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