A Cronologia da Torre de Vigia e as 70 semanas de Daniel

SERÁ QUE AS 70 SEMANAS DA PROFECIA DE DANIEL COMEÇARAM COM O DECRETO DE ARTAXERXES NO 20º ANO DE REINADO EM 455 OU 445 A.C.?

A profecia de Daniel capítulo 9 sobre as 70 semanas é importante porque não apenas anuncia quando Jesus, o Messias, viria à terra para dar fim aos pecados… trazer a justiça eterna… para ungir o Santíssimo” mas também proclama quanto tempo Deus continuaria trabalhando estritamente com a nação literal de Israel, quando proclama que Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade…” providenciando-nos um quadro de quando Deus abriria o Evangelho aos Gentios (não-Judeus) ao oferecer salvação a todo aquele que viesse a crer. Daniel 9:24-27 declara:

Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos. E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações. E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.” 1.

Através dos anos, eruditos bíblicos têm especulado acerca de qual decreto Medo-Persa melhor marca o começo das 70 semanas de anos da profecia de Daniel 9. Edras e Neemias registam quatro diferentes decretos:

  1. O primeiro foi dado por Ciro em Esdras 1:1-11 (538/537 a.C.).
  2. O segundo foi o decreto de Dario no seu 4º ano de reinado em Edras 4:24; 6:1:1-15; 7:1-5 (518/517 a.C.).
  3. O terceiro foi o decreto de Artaxerxes para reconstruir os sacrifícios do templo dado no seu 7º ano de reinado em Edras 7:7-26 (458/457 a.C.).
  4. Por último, o decreto de Artaxerxes no 20º ano de reinado em Neemias 2:1-8 (445/444 a.C.).

Visto que os decretos de ambos, Ciro e Dario, caem cedo demais para encaixar nos 490 anos das 70 semanas de anos de Daniel 9 com a vida de Jesus, o Messias, os únicos decretos que possivelmente encaixam com o tempo de vida de Jesus são os dois decretos dados no reinado de Artaxerxes.

A Sociedade Torre de Vigia tenta suportar suas afirmações acerca das 70 semanas da profecia de Daniel por mudar as datas dos reinados, quer de Xerxes, quer de Artaxerxes. Visto que a Sociedade Torre de Vigia prefere ligar a profecia de Daniel 9 ao decreto no 20º ano de reinado de Artaxerxes, eles mudaram as datas deste 20º ano para 455 a.C. embora isso entre em conflito com a data de 445 a.C., apoiada pela maioria dos historiadores.

A data da Sociedade também está em conflito com o Canon de Ptolomeu, o principal sistema de datação usado pelos historiadores e que tem o maior suporte arqueológico e astronómico. Visto que este sistema é um documento do primeiro século que providencia uma lista de reinados de reis datados desde 747 a.C. até 160 AD, o Canon de Ptolomeu data a ascenção do reinado de Artaxerxes em 465/464 a.C.

Só existe um outro sistema de datação que apoia a data 455 a.C. da Torre de Vigia para o 20º ano de Artaxerxes que é dado por James Ussher, que foi Arcebispo da Igreja da Irlanda no século 17 e que data o ano de ascenção de Artaxerxes em 475/474 a.C. 2.

Ussher declara que favoreceu a data de 475/474 a.C. para a data de ascenção de Artaxerxes devido às declarações nos escritos de Thucydides, um historiador ateniense que viveu entre 460 and 400 a.C. Ele afirma que Themistocles buscou proteção de “Artaxerxes, o filho de Xerxes, que havia recentemente chegado ao trono” quando ele estava no processo de sair fugir da Grécia para a Ásia Menor em 472/471 a.C.

Contudo, estes registos são questionáveis, visto que escritos de outros antigos historiadores discordam destas declarações de Thucydides. Contudo, a Sociedade Torre de Vigia faz tentativas de apoiar as suas datas por encurtar a data do pai de Artaxerxes (Xerxes), de um reinado de 21 anos (484-465 a.C.) para um reinado de 11 anos (484-475 a.C.), afirmando que Xerxes foi co-regente com seu pai Dario pelos primeiros 10 anos do seu reinado e estendendo o reinado de Artaxerxes de 41 para 51 anos. Novamente, estas afirmações não têm base na realidade como Carl Olof Jonsson, um historiador sueco notou em seu artigo (em inglês) intitulado O 20º Ano de Artaxerxes e as “Setenta Semanas” de Daniel (The 20th Year Of Artaxerxes And The “Seventy Weeks” Of Daniel):

Não existe a mais pequena evidência em apoio de tal co-regência. A análise da Sociedade Torre de Vigia nas páginas 256-262 do seu dicionário bíblico Estudo das Escrituras, volume 3 (1988), é uma miserável distorção da evidência histórica. Assim, na página 260 eles afirmam:

Há sólida evidência da co-regência de Xerxes com seu pai Dario. O historiador grego Heródoto (VII, 3) diz: “Dario achou-as [as razões do pedido do reinado por Xerxes] justas e nomeou-o seu sucessor. Acho, porém, que Xerxes teria reinado de qualquer maneira.” Isto indica que Xerxes foi feito rei durante o reinado do seu pai Dario.

Se nós olharmos a declaração de Heródoto, contudo, nós iremos descobrir que ele, nas poucas frases seguintes, diretamente contradiz a afirmação da Sociedade Torre de Vigia de que houve uma co-regência de dez anos de Xerxes com Dario por declarar que Dario morreu um ano após esta nomeação de Xerxes como seu sucessor. Heródoto diz:

Xerxes, então, foi publicamente proclamado como o seguinte na sucessão à coroa e Dario ficou livre de virar sua atenção para a guerra. A morte, contudo, cortou-o antes que as suas preparações estivessem completas; ele morreu no ano seguinte a este incidente e a rebelião Egípcia, após um reinado de 36 anos e foi impedido de ter a hipótese de punir, quer o Egipto, quer os Atenienses. Após a sua morte a coroa passou para seu filho Xerxes.

 O que descobrimos então, é que Dario nomeou Xerxes seu sucessor um ano (não dez!) antes da sua morte. Além do mais, Heródoto não diz que Dario designou Xerxes seu co-regente, mas seu sucessor. Carl Olof Jonsson, Göteborg, Sweden, The 20th Year Of Artaxerxes And The “Seventy Weeks” Of Daniel, 1989. Revised 1999, 2003,
http://kristenfrihet.se/english/artaxerxes.htm

Com respeito aos múltiplos registos astronómicos que validam o reinado de Artaxerxes, dados no Canon de Ptolomeu, Carl Olof Jonsson nota:

A evidência decisiva para a duração do reinado de Artaxerxes é a informação astronómica encontrada num número de tabuinhas datadas do seu reinado. Um desses textos é o “diário” astronómico “VAT 5047”, claramente datado do 11º ano de Artaxerxes. Embora o texto esteja danificado, preserva a informação acerca de duas posições lunares relativas a planetas e as posições de Mercúrio, Júpiter Vénus e Saturno. Esta informação é suficiente para identificar a data do texto como sendo 454 a.C. Como este foi o 11º ano de Artaxerxes, o ano precedente, 455 a.C. não poderia ter sido o seu 20º ano como a Sociedade Torre de Vigia afirma, mas o seu 10º ano. O seu 20º ano, então, terá que ter sido 445/44 a.C. (Veja Sachs/Hunger, Astronomical Diaries and Related Texts from Babylonia, Vol. 1, Wien 1988, págs. 56-59.)

 

Existem também algumas tabuinhas datadas do 21º e último ano de Xerxes. Uma dela, BM 32234, que é datada do dia 14 a 18 do 5º mês do 21º ano de Xerxes, pertence ao grupo dos textos astronómicos chamados de “textos dos 18 anos” ou “textos Saros”. A informação astronómica preservada nesta tabuinha fixa-a no ano 465 a.C. O texto inclui a seguinte informação interessante: “Mês V 14 (+x) Xerxes foi morto pelo seu filho.” Apenas este texto não apenas revela que Xerxes reinou por 21 anos, mas também que o seu último ano foi 465 a.C., não 475 como defende a Sociedade! – Carl Olof Jonsson, Göteborg, Sweden, The 20th Year Of Artaxerxes And The “Seventy Weeks” Of Daniel, 1989. Revised 1999, 2003, http://kristenfrihet.se/english/artaxerxes.htm

Neste artigo, Carl Olof Jonsson também examina outros registos que validam a data 445/444 para o 20º anos de reinado de Artaxerxes e demonstra porque os documentos que a Sociedade Torre de Vigia apresenta em apoio da sua data 455/454 estão incorretos. Assim, a data 465/464 de Ptolomeu para a ascenção de Artaxerxes foi bem estabelecida pela comunidade arqueológica e é por isso a mais favorecida pelos historiadores.

SERÁ QUE O DECRETO DE ARTAXERXES NO 20º ANO PARA RECONSTRUIR AS MURALHAS DE JERUSALÉM MARCA O COMEÇO DAS 70 SEMANAS DE DANIEL?

Agora que verificamos que a data 465/464 a.C. marca o início do reinado de Artaxerxes, temos de reconciliar os decretos que ele fez com os registos históricos concernentes à vida de Cristo para determinar se é o decreto do 20º ou do 7º ano que melhor marca o começo das 70 semanas de anos da profecia de Daniel 9. Aqueles que favorecem o decreto do 20º ano para começar as 70 semanas de Daniel 9 fazem-no porque fala especificamente da reconstrução das muralhas de Jerusalém que é mencionada no texto desta profecia:

“”Setenta semanas estão decretadas para o seu povo e sua santa cidade para acabar com a transgressão, para dar fim ao pecado, para expiar as culpas, para trazer justiça eterna, para cumprir a visão e a profecia, e para ungir o santíssimo. Saiba e entenda que a partir da promulgação do decreto que manda restaurar e reconstruir Jerusalém até que o Ungido, o líder, venha, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas. Ela será reconstruída com ruas e muros, mas em tempos difíceis.” (Daniel 9:24-25, NVI)

Contudo, é impossível iniciarmos a data de início de 445/444 para este decreto no 20º ano de Artaxerxes para caber os inteiros 490 anos, visto que um simples cálculo para esses anos iriam fazer com que as 70 semanas se extendessem para além da vida de Cristo por pelo menos 13 anos e iria colocar a semana 69º “até ao Messias, o Princípe” em 38 AD, bem depois da morte de Jesus Cristo ocorrida por volta de 30 ou 33 AD. Assim, tentar compensar devido aos problemas matemáticos que esta data causa, aqueles que apoiam a data de início em 445/444 são forçados a converter as 69 semanas de anos (483 anos) “até ao Messias, o Princípe” dos ano lunar Judeu de 360 dias para 365 dias de anos solares e então recalcular os anos para dar 476 anos para as 69 semanas, em vez de 483 anos dados na profecia, de modo a encaixar de 445 a.C. a 33 AD como as fórmulas matemáticas demonstram a seguir:

  • 69 semanas de anos (69 x 7 = 483 anos)
  • 483 proféticos/anos lunares de 360 dias = 476 anos solares de 365 dias (483 x 360 = 173,880 dias / 365 = 476 anos solares).
  • 445/444 BC-476 anos (+1 ano para 0 a.C.) = 32/33 AD o tempo em que muitos acreditam que Jesus foi crucificado.

Enquanto esta hipótese para reconciliar as 69 semanas com o decreto do 20º ano de Artaxerxes em 445/444 a.C. foi primeiramente popularizado por Sir Robert Anderson no seu livro The Coming Prince, publicado em 1894 pela Hodder & Stoughton, Londres, parece existir sérios problemas com ela.

Primeiro que tudo, é um modo muito complicado de calcular as 69 semanas da profecia de Daniel e por isso altamente improvável visto que os judeus sempre ajustaram o sistema do seu calendário lunar com o fenómeno solar o que iria reconciliar os anos dados na profecia com os anos solares atuais de qualquer modo.

Além do mais, este cálculo não encaixa completamente na profética linha do tempo das 70 semanas de Daniel porque não leva em conta a restante semana de 7 anos. Assim, aqueles que seguem esta equação afirmam que a última semana da profecia de 70 anos de Daniel é de algum modo futurista e ainda por cumprir, embora 2.000 anos tenham passado desde a linha de tempo original para esta profecia!

Ao afirmarem que este período de 7 anos é também profetizado no livro de Apocalipse, estes instrutores não levam em conta o facto de que a maioria das profecias no livro do Apocalipse foram dadas às igrejas do primeiro século, lidando especificamente com a queda do templo de Jerusalém conforme declarado em Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21 e com a declaração explícita de que os eventos registados nesta “Revelação de Jesus Cristo” foram dados “para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer…” (Apocalipse 1:1) E nos caso de falharmos o ponto de que a maioria das profecias de Apocalipse eram para serem cumpridas dentro da linha de tempo da destruição do templo de Jerusalém, o livro do Apocalipse termina com a mesma declaração explícita dizendo:

“E disse-me: Estas palavras são fiéis e verdadeiras; e o Senhor, o Deus dos santos profetas, enviou o seu anjo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer.”

Visto o facto de que a maioria das profecias de Apocalipse eram para se cumprir dentro do primeiro século e o facto de que iniciar as 70 semanas de anos de Daniel no 20º ano de reinado de Artaxerxes deixa pelo menos uma semana por contar, especialmente se escolhermos não recalcular os anos pelos anos lunar/solar, nós faríamos bem em considerar uma linha do tempo diferente para a profecia das 70 semanas de anos de Daniel.

SERÁ QUE O DECRETO NO 7º ANO DE ARTAXERXES PARA REPOR OS SACRÍFICIOS NO TEMPLO MARCA O INÍCIO DAS 70 SEMANAS DE DANIEL?

O único outro decreto a considerar é o decreto no 7º ano de reinado de Artaxerxes que providenciava os utensílios necessários para os sacrifícios judaicos a operar no templo em Jerusalém, que Dario já havia anteriormente autorizado a reconstruir. Primeiro que tudo, este decreto é significativo porque é o único decreto dos quatro decretos Medo-Persas mencionados na Bíblia que providencia o inteiro texto do decreto, o que faz o decreto destacar-se do resto e enfatiza a importância que o escritor bíblico lhe deu. Segundo, o decreto no 7º ano de Artaxerxes especificamente refere-se ao sistema sacrificial judaico o que encaixa   espantosamente bem no contexto da profecia de Daniel 9 porque declara:

Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas…” (Daniel 9:24-25)

Enquanto a reconstrução dos muros é mencionada mais tarde nesta profecia, nós não devemos perder o ponto de que esta profecia nunca diz que a reconstrução dos muros iria marcar o começo da linha do tempo, mas antes que a “ordem para restaurar, e para edificar Jerusalém, até ao Messias, o Princípe” iria marcar o princípio. A ênfase recai nos sacrifícios que seriam restaurados até ao Messias “para dar fim aos pecados” de modo a “trazer justiça eterna… e para ungir o Santíssimo”. Assim, o decreto no 7º ano de Artaxerxes para restaurar a adoração judaica no templo e o sistema sacrificial encaixa belamente no contexto de Daniel 9!

Agora, a partir do 7º ano de reinado de Artaxerxes, nós podemos calcular facilmente o cumprimento das 70 semanas de Daniel a partir da data de 458 a.C. até ao seu término em 33 AD (458 BC – 490 anos = 32 + 1 ano para 0 AD), a possível data de quando Jesus foi crucificado e o véu do templo foi rasgado de alto a baixo, assim cumprindo a profecia de Daniel de “trazer a justiça eterna!” Não apenas esta parte da profecia foi completa quando Jesus morreu, mas Ele ungiu o Santuário no Céu por nós para adorarmos, como verificado pelo escritor de Hebreus:

Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne, E tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa.” (Hebreus 10:19-22)

Não apenas a data de 458 a.C. permite o cumprimento do período completo das 70 semanas de anos durante a vida e morte de Jesus e a unção do Templo Espiritual de Deus no Céu (Apocalipse 11:19), como permite que o “Messias, o Príncipe” de Daniel 9 inicie o seu ministério com “quase trinta anos” (Lucas 3:23) na 69º semana de acordo com a profecia de Daniel. Como assim? Deixe-me explicar.

De acordo com os registos históricos, só existem duas datas possíveis que podem estar de acordo com a morte de Jesus, caso aceitemos a data da crucificação na Sexta-feira. Estes são os anos 30 AD ou 33 AD. Enquanto o consenso tradicional é que Jesus tinha 33 anos de idade quando morreu por volta de 30 AD ou 33 AD, os registos históricos de facto indicam que Jesus era mais velho, mais provavelmente com 35 ou 38 anos de idade porque Herodes morreu por volta de 4 a.C. Visto que foi ele que emitiu o decreto para matar todos os meninos até 2 anos quando Jesus nasceu, a data do nascimento de Jesus foi o mais provavelmente por volta de 6 ou 5 a.C.

Assim, se Jesus nasceu por volta de 5 a.C., o seu 30º ano de vida terá sido à volta de 26 AD o que concorda com a profecia de Daniel de que as 69 semanas de anos iriam durar “até ao Messias, o Príncipe”. Calculando 458 a.C. – 483 anos (69 semanas) coloca-nos exatamente em 26 AD, quando Jesus teria “quase 30 anos” e coincide com o tempo em que João, o Batizador teria iniciado o seu ministério, de modo a preparar o caminho para o Senhor (Malaquias 3:1) no 15º ano do reinado de Tibério César (Lucas 3:1-2).

Agora, existe algum debate de quando a Bíblia calcula o 15º ano de reinado de Tibério César. Enquanto os historiadores concordam que ele reinou de 14 AD a 37 AD, isso poria o seu 15º ano por volta de 29 AD, muito antes do 30º aniversário de Jesus para marcar o início do Seu ministério e do de João, o Batizador e muito tarde para encaixar na 69º semana para o início do ministério de Jesus. Contudo, registos históricos antigos indicam que ele co-regeu com o seu predecessor César Augusto tão cedo quanto 11 ou 12 AD, o que iria ajustar o 15º ano de reinado de Tibério de volta ao ano 26 ou 27 AD.2.   Além disso, os judeus responderam às afirmações proféticas de Jesus sobre a sua morte e ressurreição com esta declaração em João 2:20:

“Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias?”

Assim, se o templo de Herodes que iniciou a sua construção em 20 a.C. tinha 46 anos quando Jesus profetizou a sua destruição, nós sabemos que Jesus fez estas declarações por volta de 27 AD. Isto, juntamente com a declaração de Lucas de que Jesus tinha cerca de 30 anos e idade quando iniciou o seu ministério, providencia outra linha de evidência para indicar que 26 AD marca de facto a semana 69º “até que o Messias, o Príncipe” comece seu ministério.

NAgora, se acrescentarmos a restante semana de 7 anos a 26 AD, nós temos Jesus sendo “cortado” e trazendo “justiça eterna” quer no meio da última semana em 30 AD ou no final dela em 33 AD!

Obviamente, quando calculamos a profecia das 70 semanas de Daniel a partir do decreto de Artaxerxes no seu 7º ano de reinado em 458 a.C., não apenas isto ajusta-se às datas astronómicas confirmadas que os historiadores favorecem, mas ajusta-se na cronologia da vida e ministério de Jesus como é apresentada no Novo Testamento. Assim, nós podemos estar confiantes de que as 70 semanas de Daniel 9 foram cumpridas com grande precisão!

UM PACTO DE UMA SEMANA

Conforme já vimos, se partirmos desde o 7º ano do decreto de Artaxerxes, as 70 semanas completas de Daniel 9 foram devidamente completadas por volta do ano 33 AD. Com estas duas datas possíveis para a morte de Jesus, nós podemos colocar a Sua morte quer no final de 33 AD ou no meio da última semana em 30 AD. Se colocarmos a morte de Jesus em 33 AD mesmo no final das 70 semanas de anos, nós teremos um problema porque Daniel 9:25-27 especificamente declara que o “Messias, o Príncipe” iria “na metade da semana …cessar o sacrifício e a oblação”.

Se Jesus começou por estabelecer uma “aliança com muitos por uma semana” (isto é, a Nova Aliança com os seus seguidores) no começo da última semana de Daniel 9 (a 69ª semana) em 26 AD, então é provável que a declaração de que na “metade da semana” na qual Ele “faria cessar o sacrifício e oblação” é uma referência à Sua morte em 30 AD no qual o véu do templo rasgou-se e após isso todos os sacrifícios passaram a ser vistos como “abominações” a serem destruídos completamente quando Jerusalém foi destruída em 70 AD.

Contudo, alguns eruditos discordam, particularmente aqueles que mantêm uma visão futurista baseada nos seus cálculos solares/lunares no 20º ano de reinado de Artaxerxes e que afirmam que a última semana de Daniel 9 ainda estará para ser completada no futuro. Estes eruditos acreditam que a menção de Daniel 9:27 sobre o “príncipe que há-de vir” em Daniel 9:26, refere-se a um tipo de futuro Anti-Cristo, em vez do “Messias, o Príncipe” mencionado no versículo 25. Então qual interpretação melhor se ajusta no contexto de Daniel 9:25-27?

Para compreender o pleno sentido da passagem, vamos ler da Young’s Literal Translation pois providencia uma visão mais precisa da passagem (em inglês):

“E tu sabe e deves considerar sabiamente, desde a saída da palavra para restaurar e para edificar Jerusalém até o Messias, o Líder é de sete semanas, e sessenta e duas semanas: a praça terá sido construída de novo e a muralha, mesmo no aperto dos tempos. E depois de sessenta e duas semanas, cortado é o Messias, e a cidade e o lugar santo não o são, o Líder que tem vindo destruirá o povo; e seu fim é um dilúvio, e até o fim é a guerra, determinado são desolações. E ele fortalece a aliança com muitos – uma semana, e no meio da semana ele faz o sacrifício e oferenda cessar e pela asa das abominações é que ele está causando desolação, mesmo até a consumação, e aquilo que é determinado é derramado naquele que é desolado.

Se você olhar atentamente para esta tradução, você irá ver que difere de quase todas as outras traduções inglesas visto que mostra acuradamente que a palavra “por” na frase “por uma semana” está faltando. Isso acontece porque a palavra “para” não existe no texto hebraico. Isto é importante porque mostra que a referência à Nova Aliança foi “fortalecida com muitos” durante a “uma semana” que falta dos 70 anos, não que esta Aliança apenas duraria “por” uma semana. Além disso, esta tradução mostra a ligação de como quando Jesus morreu “a cidade e o lugar santo não o são” porque Jesus (o Líder) estava inaugurando um “caminho novo e vivente” por “entrar no lugar santo” através do véu da Sua carne de acordo com Hebreus 10:19-20. Trouxe assim o cumprimento total de Daniel 9:24: “para ungir o Santíssimo”.

Finalmente, embora Jesus seja chamado de “Messias, o Príncipe” ou “Messias, o Líder” dependendo da tradução que se lê, em lado algum no contexto especificamente menciona que existem dois líderes separados sendo falados (isto é, Jesus e outro chamado Anti-Cristo). Antes, o fluxo natural do texto parece ser uma cadeia ininterrupta expondo sobre o que o Príncipe ou Líder, isto é, o Messias iria fazer quando Ele chegasse.

Deste modo, faz mais sentido que esta última semana de Daniel 9 fale da Nova Aliança que Jesus consumou com a sua morte no meio da semana que levou os sacrifícios ao seu término. Assim, com a Sua chamada do Apóstolo Paulo aos Gentios por volta do ano 33 AD (Gálatas 2:7-9), nós podemos ver como isto terá marcado o cumprimento da cronologia de Deus para a nação literal judaica, de acordo com Daniel 9:24-27, pois abriu o Evangelho aos Gentios fazendo dos dois povos de Deus (Judeus e Gentios) uma nação como foi confirmado pelas declarações de Paulo em Efésios 2:12-20 Deste modo, a seguinte tabela para a cronologia das 70 semanas de Daniel parecem ajustar-se melhor no registo histórico e no texto das Escrituras:

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1. A menos que seja mencionado, todas as citações das Escrituras são da Almeida Corrigida e Revisada Fiel.

2. No que diz respeito à variação de um ano para as datas históricas dadas para o reinado de reis antigos, a discrepância é baseada em se um está contando a ascensão de anos de reinado ou não-ascensão de anos de reinado. Visto que o primeiro ano de um rei, muitas vezes caía em cima do mesmo ano do calendário do último ano do reinado do rei anterior, para evitar a duplicação de anos entre o último ano do reinado do rei anterior e do ano de ascensão do novo rei, muitos registros históricos contam os anos, não contando o “ano de ascensão” (ou primeiro ano) do rei subsequente. No entanto, outros registros antigos, especialmente aqueles no sistema judaico, realmente contam o ano de ascensão. Assim, para acomodar tanto as formas de contar a ascensão e não-ascensão dos anos de reinado, as datas são muitas vezes dadas com a variação de um ano, por exemplo, 475/474 a.C. ou 465/464 a.C., respectivamente.

2.   Veja as Sections XX and XXI of Suetonius, De Vita Caesarum, 2 Vols., trans. J. C. Rolfe (Cambridge, Mass: Harvard University Press, 1920), págs. 291-401 at http://legacy.fordham.edu/halsall/ancient/suet-tiberius-rolfe.asp ou uma tradução inglesa revisada em The Twelve Caesars: Gaius Suetonius Tranquillus, trans. Robert Graves, rev Michael Grant (London, England: Penguin Group, 1979), pág. 120 onde o antigo historiador Suetonius nota que dois anos após as campanhas militares de Tibério na Alemanha Illyricum que terminaram em 9 A.D., foi-lhe dado o controlo conjunto das províncias com (cerca de 11 ou 12 A.D). O erudito bíblico John McArthur também concorda com a data de 11 A.D. para o começo do reinado de Tibério apontando a co-regência de Tibério na sua nota de rodapé na página 67 de One Perfect Life, (Nashville, TN: Thomas Nelson, 2012).

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